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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O Prato é Seu: uma corrente do bem através da ARTE

Sábado dia 25 de agosto aconteceu o almoço beneficente “O Prato é Seu” na Pizzaria Quintal do Bras, aqui na Vila Mariana na Rua Gandavo.

Foi uma ação para captar recursos para as atividades desenvolvidas pelo Movimento Comunitário Estrela Nova.
O Estrela Nova foi fundado oficialmente em 1984, mas as primeiras atividades aconteceram por volta de 1978. Sua sede fica no Campo Limpo e atende as famílias do Jardim Elizabete, Jardim Helga e Jardim Paris.
Por meio de uma rede de trabalhos desenvolve ações de educação, capacitação profissional, esporte, lazer, cultura, saúde e saneamento básico, com ativo envolvimento da comunidade.
Esta já é a 4ª edição deste evento.

Sua concepção é muito interessante.
Neste ano foram convidados 16 ceramistas.
Algusn dos ceramistas convidados
 A entidade entra em contato com os fornecedos de material cerâmico que doam aos ceramistas convidados o material necessário para a confecção de trinta pratos cada um. Os ceramistas, por sua vez, doam o seu “fazer”. Ao ser adquirido, o convite dá direito ao almoço e a escolha de um prato dispostos logo na entrada do restaurante. Cada prato escolhido reverte em R$ 20,00 reais para o ceramista que o elaborou no intuito de cobrir os custos da queima e outras despesas.


Logo na entrada
Forma-se assim uma “corrente do bem”. Fica muito evidente que cada um é um elo desta corrente, e está contribuindo para uma boa causa. O senso da responsabilidade social de cada um fica evidenciado.

O “start” que o Movimento Estrela Nova dá para organizar este evento desencadeia um fluxo positivo de energias. Os convidados partilham de boa comida dentro de um clima de bom astral durante o almoço. Os ceramistas divulgam seus trabalhos culminando com o objetivo principal que é promover recursos para que a entidade possa dar andamento aos seus projetos sociais.
O cardápio do almoço é simples: pizza, salada, acompanhdos de chopp ou vinho, sobremesa e café. Tudo muito gostoso e bem servido. Foi uma festa. Todos alegres compartilhando a enrgia positiva.
No ano passado a renda do almoço possibilitou o início da reforma da cozinha industrial e a despensa. A expectativa é que a renda arrecadada neste ano possibilite o término da obra.
E pelo visto, ano que vem tem mais!


Cozinha do Estrela Nova
Despensa do Estrela Nova

Carta de Agradecimentos e resultados do evento beneficente O Prato é Seu 2012


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Revista Tempo Cerâmico


A Revista Tempo Cerâmico é focada em cerâmica industrial e é dirigida à arquitetos e decoradores.

Esta matéria, Arte na Indústria: Cerâmica Parapuan vai além do trabalho, foi publicada na Revista Tempo Cerâmicona edição de maio/junho de 2011.

Nesta edição "veremos o diferente, com a oportunidade de poder se surpreender positivamente, e presenciar ambientes únicos e criativos... (Kennia Cristina S. de Andrade, Editora de Redação)


(Obs.: Para ter uma melhor visualização das imagens clique no ícone localizado no canto inferior direito da imagem que a expandirá. Para voltar a esta página clique na tecla Esc).
Arte na Indústria Matéria publicada na Revista Tempo Cerâmico,Edição maio/junho 2011/ ano 1 nº 2(Obs.: Para ter uma melhor visualização das imagens clique no ícone localizado no canto inferior direito da imagem que a expandirá e pela barra de rolagem as 5 páginas poderão ser visualizadas.  Para voltar a esta página clique na tecla Esc).

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terça-feira, 12 de abril de 2011

Minha Versão Sobre

O 1º Encontro Internacional de Ceramistas


USP

Foi um evento arrojado e inovador.

Fiquei surpresa com a proposta.
Em 4 dias de duração do evento,  alternavam-se palestras
e demonstrações da execução do trabalho pelos artistas convidados.

Gente de peso.

Em 5 mesas e um torno elétrico montados no palco do auditório os artista desenvolviam seus projetos na nossa frente
É quase indescritível o sentimento gerado ao vê-los trabalhando naquelas mesas.
Tudo muito simples mas comovente.



Nos intervalos nós, do público, podíamos subir ao palco para ver e tocar nos trabalhos e conversar com os artistas. Era como se nós nos transformássemos em seus convidados em um “mini” ateliê.  Assim eu me sentia
A intimidade do processo criativo de cada um era revelada, desnudada. Acompanhar passo a passo sua criação imprimia um corpo ao intangivel. A sensação que causava era muito reconfortante. A cada momento me via reafirmada em meu próprio percurso.


Interagi  bastante com a maioria dos convidados e aqui vão algumas de minhas impressões. 


Infelizmente para mim, não tive “tempo emocional” suficiente para me aproximar de todos.

Claro, as fotos que estão publicadas não são minhas. Novamente me deparo com a dificuldade de sair do turbilhão de emoções para tirar fotos.
Elas foram gentilmente cedidas pelos participantes mais hábeis do que eu nesse quesito.  Seguem os linkes originários, vale uma visita: 
Graciela trouxe a técnica de transferência de imagem sobre a cerâmica e a técnica da foto-cerâmica.
Esse é um assunto que venho me interessando há algum tempo. Estou prestes a fazer minha primeira experiância com a matéria. Além disso colocou bem claramente a sua inserção política através da cerâmcia. Bastante interessante como processo e como modelo.


De origem chinesa Jackson fazia demosntração ao torno. Mas o que mais me atraiu em Jackson Li foi sua demonstração na construção de ferramentas com materias coletados ali mesmo no campus USP. No meu entender criou um espaço mais democrático para a cerâmica. Com certeza passarei essas informações para o pessoal do Projeto Parapuan e para todo mundo que eu puder. 
                                                    
Jacques Kaufmann
Gostei muito de vê-lo trabalhar. Sempre improvisando e criando. Sua liberdade é encantadora. Para ele a “imaginação é  inspirada pela matéria nas suas qualidades e pontencialidades de energia”. Fez “misérias” com uma “carinha” de madeira comprada na China, para onde vai com freqüência. Foi tão bom me ver refletida nessa metodologia. 


Juan Pache
Genial o cruzamento de técnicas de setores industriais diferentes. Me deu muita vontade de experimentar essa técnica. São Desenhos entalhados com areia a pressão. Ele usa jato de areia, próprio para vidro, para fazer relevos em suas cerâmicas usando como máscara um recorte em vinil auto-adesivo feito por um ploter e um computador.






 Nathan Lynch
Uma graça de pessoa. Inteligente, criativo, espontâneo. Ele é escultor e artista de performance. O trabalho dele lida com as questões de orgulho, masculinidade, coragem, posicionamento político, tudo com respeito e humor. 


Philippe trabalha com formas. A questão do dentro e do fora são cruciais para ele. Além das tradicionais, ele construiu várias formas com de partes de outros moldes que ele cortou e reagrupou de formas variadas, prendendo-as com pinças e elásticos.
Philippe apresentou a inteligentíssima  técnica de tirar da forma a peça já esmaltada. Ouvir seu relato de como chegou nesse resultado foi fantástico. Partiu da economia de energias (preguiça, meio ambiente) e chegou lá. Na minha experiência criativa com a cerâmica, sempre foi o desafio da matéria a fonte inspiradora de minha criação. Depois de ver o relato de Philippe Barde, passei a me sentir mais à vontade com a questão da escolha dos caminhos criativos.   


Sua palestra e o video apresentado foram muito interessantes carregadas de conceitos pertinentes. O vídeo que apresentou de sua temporada no Japão também foi muito criativo. Uma performance registrada na matéria para todo o tempo. Aliás, sua discução sobre  a questão da passagem do tempo e da impermanência do objeto foi bastante interessante.


Toshiyuki Ukeseki
Foi um dos “fundadores” do centro de cerâmica em Cunha. Hoje em dia ele mora no Japão. O tema de sua palestra era: Busca pela Beleza da Cerâmica ~ o potencial do esmalte. Trouxe em sua mala  testes da pesquisa que realiza na busca de efeitos ancestrais e tradicionais de esmaltes com ferro. 



Fascinante. Um exemplo de liberdade do olhar. Inspirador e instigante. O que mais me marcou foi esta aparente contradição entre a pessoa que ela aparenta, calma, quieta intorvertida e quase idosa, e seu trabalho tão exuberante, extrovertido e liberto.
Foi muito importante dar espaço ao Rodrigo para apresentar o conceito do Bando de Barro. Considero o Bando de Barro uma iniciativa bastante corajosa,  generosa e agregadora sem se perder de vista a individualidade de cada um. Nas palavras de Rodrigo o Bando é "uma experiência coletiva criadora"; lida com "relações, tensões e interesses entre o coletivo e suas individualidades (o eu e o nós); além de ser uma "experiência coletiva como construção de conhecimento e sua relação com o ensino na universidade"
Por ser um “Bando”, a individualidade pode coexistir. O Bando de Barro sempre me dá a esperança de um dia abraçarmos o Brasil através da cerâmica. Gosto de me apresentar como “Bandoleira Sucursal São Paulo”.

Imaginem só, vivendo tudo isso, mais todos os encontros , contatos, afetos e desdobramentos que esse evento proporcionou...

Um turbilhão de emoções!

Agradeço a coragem da professora e coordenadora do evento,  mestre e doutora em arte pela USP Norma Grinberg, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e toda sua equipe,  ao Grupo Terra de Pesquisa, coordenado por ela, e que conta com a participação das professoras Sílvia Tagusagawa, também da ECA, e Cristiane Aun Bertoldi, da FAU, pela realização deste encontro.
Segundo Norma, e no que eu concordo, “o ponto forte do encontro foi o intercâmbio cultural”. A organização estava impecável.

Parabéns!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Novidades no Projeto Parapuan

Acabo de voltar da Indústria de Manilhas, em Pará de Minas, e bons ventos sopram por lá.
Além de produzirmos a primeira encomenda de um Totem Luminária, temos outras novidades para contar.


Por Iniciativa dos próprios funcionários, o colega Saulo foi liberado todas as tardes, para revelar e aprimorar suas habilidades artísticas. Todos ficaram animadíssimos com os primeiros resultados. Aqui vão publicadas fotos de seus dois primeiros trabalhos. (Para saber mais sobre o Projeto Parapuan, clique no link abaixo: http://nadiasaad.com.br/design/)





A outra novidade vem dos alunos da Escola de Artes de Pará de Minas, da Secretaria de Cultura. Eles passarm a frequentar a indústria, uma vez por semana, depois do expediente.
Toda quinta-feira, após as 17h, alguns funcionários, e os alunos produzem arte juntos.
A troca de conhecimentos é o motor dessa iniciativa
O Projeto Parapuan – Arte na Indúsria, para além do trabalho  já está transcendondo os limites da fábrica e aos poucos vai se consolidando cada vez mais.

Aproveitando os Ares Mineiros

Iniciei mais  uma nova aventura temática: conhecer os ceramistas de Belo Horizonte e redondezas.

Resolvi “dar uma ligadinha” para a ceramista Inês Antonini. Eu já estava de “olho nela”desde o último Congresso de Curitiba, quando nos encontramos pela primeira vez, e no CONTAF de 2010, onde ambas demos oficinas e não pudemos interagir.

Liguei em um sábado de janeiro de 2011, e no mesmo dia me convidou para conhecer o seu sítio. Lá construiu um “babyanagama” ou como prefere chamar, na tradução japonesa, o seu “akambogama”.

Babyanagama ou Akambogama
É um forno anagama, (ana=1, gama=forno), forno de uma câmara só.

Vista interna do Akambogama
Ele é muito “anatômico”. Do “tamainho” ideal para uma ceramista. (veja foto)

Inês está tentando reduzir o tempo da queima. Encerrou a última queima, que foi em dezembro passado, com 50 horas. Eram 70 horas.




Fazenda Palhano

O sítio de Inês faz divisa com a Fazenda Palhano.
Foi nessa fazenda que Toshiko Ishii  iniciou seus trabalhos em cerâmica.

Mulher exepcional, Toshiko, aos 70 anos de idade embrenhou-se com garra na realização de um sonho antigo: fazer utilitários em cerâmica.

“Toshico afirma: o uso dignifica, dá sentido à cerâmica. Faço para meu uso, portanto para quem quiser. Sou uma artesã e estou satisfeita.”



Imagine só, aos 70 anos ter a coragem de iniciar um projeto, guardado a tanto tempo.

Acabou que “aos poucos foi agregando outros ceramistas, artistas e interessados da cidade” ao seu redor. 

Alguns ceramistas como Erli Fantini, Adel Souki, e a própria Inês, que após largo convívio no ateliê de Toshiko acabaram adquirindo “lotes”da própria fazenda.
E sob a influência da matriz e mãe da cerâmica se instalaram ao redor da Fazenda Palhano, construiram seus fornos nos moldes japoneses.

No Ateliê de Toshiko
Inês me levou até a Fazenda Palhano, que já existe há mais de 200 anos, e visitamos o ateliê de Toshiko e todo o seu espaço de trabalho.

É muito instigante tentar desvendar os mistéris que circundam aquele espaço. Mulher perseverante, já com muitos caminhos criativos percorridos por diversas linguagens e materiais, e que escolheu a cerâmica, tardiamente.

Partiu do quase nada para mergulhar, com coragem, no desconhecido. Sonhar e realizar-se na busca do trabalho cerâmico.

Também conheci  a Regina, ceramista, que estava dando aula para um grupo de crianças. Regina iniciou a trabalhar com Toshiko quando ainda tinha 10 anos de idade. Regina é mais uma  das“ceramistas agregadas” de Toshiko. Seu pai, Lázaro,  trabalha na fazenda desde a época em que a filha de Toshico, Tizue e seu genro Izume compraram a fazenda. Lázaro ajudou Toshiko na construção dos fornos e a ajudava no ateliê também.

Para terminar a visita, na segunda-feira fui conhecer o ateliê de Inês, em Belo Horizonte.
Via 27

Qual não foi minha surpresa: é um condomínio de ateliês. Fiquei com vontade de ter meu espaço lá também. A solução que deram é fantástica e o espaço é de fato muito acolhedor.
“...A idéia do nosso condomínio de ateliers surgiu da minha amizade com a Liliane Dardot, artista plástica,  e com Humberto Carneiro, arquiteto. Convidamos mais duas artistas, Ligia Lippi e Iane Zanine para se associarem a nós na empreitadada da construção do prédio que lembra um galpão de fábrica e que ao mesmo tempo mantém a individualidade e o espaço de cada artista. O nome dado foi VIA 27.”

Inês é uma ceramista cujo trabalho é muito forte e consistente.
Historiadora de formação, atualmente Inês continua pesquisando argilas e terra sigillata para uso em queimas a lenha.
Também está desenvolvendo dois projetos: potes de água em cerâmica e desdobramentos de seu trabalho: Abismo.

Os Trabalhos de Inês e seus Potes
“Este ano estarei envolvida no projeto dos Potes e orientando três projetos de alunas minhas. Caminhemos pois...” diz Inês.

Em nossas conversas, até fizemos um plano de irmos ao Piauí por conta dos Potes...
A idéia foi lançada, com o tempo, saberemos se ela se materializará.
Logo me engajei em seu projeto dos Potes, porque, novamente, poderei fazer mais uma viagem temática em torno da cerâmica.

Aqueles potes me deixaram muita curiosa. Muitas perguntas ficaram no ar.
Quem sabe as respostas poderão ser encontradas no Piauí, seu local de origem.


Segue aqui o e-mail da Inês para quem quiser fazer contato:<inesantonini@gmail.com>