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domingo, 28 de agosto de 2011

De Volta à Solidão

Caros Amigos,

Como sempre digo: Uma vez na forja, muitas outras na ferradura, e outras onde quer que mande o destino.

Assim tenho vivido.

Tenho viajado muito por conta de meu outro trabalho, que não é relacionado à cerâmica.

Além disso, em parceria com a Sirlene Giannotti, temos nos empenhado em realizar o Ciclo de Encontros: Percurso de Mestre. Todos os “flyers” de nossa divulgação são de minha autoria, com o apoio substancial da Sirlene. É muito bom trabalhar com ela.



Na Oficina do Caderno
O frio era intenso e o
envolvimento era profundo
O primeiro encontro do Ciclo foi Caderno de Mestre. Participei dessa oficina .
Construi meu próprio caderno com as medidas exatas de minha bolsa. Ao elaborar o caderno, imaginava que conteúdos mandará o destino anotar nele. Toda a situação me remeteu a uma vivência ancestral e longínqua, mas, estranhamente, muito presente em minha memória.

Trago-te uma água perdida em tua memória – segue-me até a fonte e encontre seu segredo.
Patrice de La Tour du Pin, Le Seconde jeu, Gallimar, p.106. Citação de Gaston Bachelard, na Poética do Devaneio, p.93.


A construção do caderno
foi também um trabalho
de reciclagem





Nas palavras de Bachelard: ... “há devaneios tão profundos que nos ajudam a descer tão profundamente em nós mesmos que nos desembaraçam de nossa história. Libertam-nos do nosso nome. Devolven-nos essas solidões de hoje, às primeiras solidões...que deixam em certas almas marcas indeléveis...”

Foi muito instigante e enriquecedor ter participado dessa oficina.




Alegria estampada





E falando em solidão, além de tudo isso, eu gostaria de contar que voltei a trabalhar e criar em meu ateliê com muito afinco e devoção. Como as ondas do mar, as inspiraçãoes vão e voltam...




Vista de dentro dos trabalhos
Composição de três vasos em argila de várias cores
com aplicação da técnica do nericome

Várias fotos de um mesmo vaso



Fotos de toda a série em porcelana e em argila


São trabalhos novos a partir do velho e conhecido nericome. Esta aparente contradição  me remeteu à novas reflexões sobre o criar e os caminhos que ele percorre. Algumas dessas reflexões bem se traduzem por este trecho do discurso proferido por Guimarães Rosa em agradecimento ao prêmio concedido pela Academia Brasileira de Letras, ao livro de poesia Magma. 



...O Poeta não cita: canta. Não se traça programas, porque a sua estrada não tem marcos ou destino. Se repete, são idéias e imagens que volvem à tona por poder próprio, pois que entre elas há também uma sobrevivência do mais apto. Não se aliena, como um lunático, das agitações coletivas e contemporâneas, porque arte e vida são planos não superpostos mas interpenetrados,
...


E o incontentamento é o seu clima, porque o artista não passa de um místico retardado, sempre a meia jornada. Falta-lhe o repouso do sétimo dia. Não tem o direito de se voltar para o já-feito, ainda que mais nada tenho por fazer. ...



Também tenho novos trabalhos feitos em parceria com o "ajudante" e artista Joaz Vilas Boas.

Partindo da inspiração que os meus trabalhos em porcelana causaram, Joaz depositou nelas seu imaginário vivaz, não economizando talento.
FUTURAMA I e II
O nome delas é FUTURAMA I e FUTURAMA II.

As medidas são em tono de 15 cm de diâmetro.
O trabalho em porcelana é meu e os grafismos são do Joaz.
Acho que o resultado da parceria ficou muito interessante.
Eles sugerem a promessa de novos e inusitados trabalhos.
É uma nova vertente.
Nossa imaginação está "pululando" de idéias.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Convite para Workshop


O Desenho Oculto na Técnica do Nericome


Essa Oficina visa incentivar o participante a mergulhar na matéria.

Através desse mergulho, exercitar a  sensibilidade do diálogo que se estabelece entre executor e o objeto durante a criação. 
É na mistura de várias argilas coloridas, unidas e trabalhadas em diferentes técnicas (tornearia, modelagem, placas e moldes), que se esconde o mistério.
A curiosidade em “ver” o que está além do visível fará a liga para a busca de um alfabeto e uma gramática muito pessoal, no confronto com o desconhecido.


É uma oficina muito “bacana”.
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Durante O Workshop
Nesses dois primeiros dias, sábado e domingo, os participantea foram convidados a escolher os materias onde iriam desenvolver seus trabalhos.
As possibilidades de material eram:
       - Paperclay nas cores: branca, vermelha, cinza e preta (já preparadas);
       - Paperclay branca para acrescentar vários óxidos minerais;
       - Porcelana branca para acrescentar vários óxidos minerais.
Todo esse material foi doado gentilmente pelo Eder, fabricante das Argilas Rezende (http://www.argilasrezende.com.br/).
Assim que as argilas já estavam preparadas, os participantes iniciaram a execução de suas peças, orientados para experimentar vários formatos, em várias técnicas.
No segundo dia, iniciamos o acabamento, de forma muito caractaréstica de meu trabalho, onde fica impresso o diferencial da téncica.




O Último Dia
Nesse dia os participantes viram os resultados de seus trabalhos, já queimados.
Percebi que todos ficaram encantados e já tinham projetos de novas pesquisas e continuidade do trabalho.
Isso muito me animou uma vez que, mais do que uma técnica, meu propósito era insuflar essa curiosidade de buscar o desconhecido para encontrar "o novo", para encontrar o inesperado.
Também tive a oportunidade rara de contar sobre meu percurso na arte cerâmica.
Muito obrigada a todos os participantes.

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CONTAF 2010

Alguns Resultados da Oficina
Interferências no Cotidiano

No início de agosto tive a honra de participar do CONTAF como Palestrante e “Oficineira”.
O tema da palestra foi o relato de minha experiência na fábrica de manilhas, onde acabei desenvolvendo um projeto social:
Projeto Parapuan - Arte na Indústria, para Além do Trabalho.
Mais uma vez, a palestra foi um sucesso. Os ouvintes ficaram muito impressionados e emocionados, e mais uma vez, alguns chegaram até a marejar os olhos de emoção.
Detalhes desse projeto podem ser vistos no meu site:
http://www.nadiasaad.com.br/design/.
Aqui vai só uma foto pra dar um "exemplinho"


Alguns Resultados da Oficina
Interferências no Cotidiano
O tema da oficina era:
Interferências no Cotidiano – Manilhas.
Levei para lá uma vintena de manilhas de várias dimensões.
Não havia inscrição para as oficinas. Com isso os participantes poderiam circular por todas elas.
Então fiz a seguinte proposta:
Um diálogo com a matéria, com a forma e com outro, conhecido ou desconhecido, visível, ou não.
Que trabalhassem em duplas, e que no trabalho individual, deixassem um início do diálogo para o próximo conhecido ou desconhecido, visível, ou não continuar a "conversa".

E assim foi.
Um rodízio. Algumas manilhas sofreram interferência de várias mãos. Outras, poucas, porém, apenas a interferência do primeiro par de mãos.
Era muito interessante ver o fluxo das pessoas e suas escolhas.
Os participantes entraram em êxtase.

Vez em quando eu pedia que dissessem a primeira palavra que estivesse em suas mentes.
Assim eram elas: força; som; conexão com o universo; intensidade; liberdade; alegria; criação; desfrute; prazer...


...e outras que não me lembro mais.


Infelizmente não registrei nada do que acontecia na oficina.
Para mim é impossível coordenar a oficina, ficar atenta aos movimentos, e ao mesmo tempo registrar. Mas, aos poucos tenho recebido fotos de amigos, que aqui vou publicando.
O resultado foi tão surpreendente que os participantes sugeriram que as manilhas fossem expostas no Jardim das Esculturas da Universidade, mesmo sem queimar.
Dessa exposição, consegui tirar algumas fotos que seguem aqui postadas, também.
Adorei o evento.
E já tenho planos para realizar essa oficina aqui em São Paulo.
Brevemente terão notícias minhas a respeito.